As eleições europeias e as incertezas do “Brexit”

O dia 23 de maio não é uma data que muitos cidadãos do Reino Unido terão marcado no calendário como um dia de eleições. Disseram-lhes que “Brexit significa Brexit”, logo não teriam de participar no escrutínio europeu.

Contudo, perante o caos que está a ser a saída do Reino Unido da União Europeia, o Governo de Theresa May teve de fazer planos para participar nas eleições. As medidas legais necessárias foram tomadas e os partidos estão a entrar em campanha.

Dos 751 assentos do Parlamento Europeu, o Reino Unido ocupa 73, distribuídos pelos seus quatro países, de acordo com a representatividade populacional.

O sistema eleitoral de representação proporcional da União Europeia favoreceu partidos menores, e o Partido pela Independência do Reino Unido, vulgo UKIP, na época liderado por Nigel Farage, venceu a votação em 2014.

O partido eurocético tem, atualmente, 24 assentos, mais quatro do que os Trabalhistas e mais cinco do que os Conservadores.

O UKIP continua a ser uma força disruptiva no parlamento e Nigel Farage, que agora lidera novo partido Brexit, alertou os eurodeputados…

“Querem mesmo que o Reino Unido realize as eleições europeias, mande de volta, para o Parlamento Europeu, um grande número de deputados, pró-saída, numa altura em que se luta contra o populismo, como vêem, em todo o continente? Querem-me mesmo de volta? Neste lugar?”, questiona Farage.

Um escrutínio recente, no País de Gales, mostrou que trabalhistas e conservadores têm motivos para estarem receosos. Ambos perderam votos para os partidos pró e anti-Brexit.

E isso poderá reproduzir-se nas eleições de maio, com o novo Grupo Independente, europeísta, prometendo a colocação de candidatos.

Seja qual for o resultado, não é o que a Grã-Bretanha ou Bruxelas preparam ou querem que conta. Foram feitos planos para redistribuir os assentos do Reino Unido entre os atuais e futuros membros da União Europeia, e agora estão a ser planeadas contingências para lidar com a retirada dos eurodeputados britânicos se e quando o “Brexit” for finalmente concluído. Só então começará a era pós-britânica do Parlamento Europeu.

Fonte: Euronews

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